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> O Que Cremos

SOBRE O QUE CREMOS HOJE

 

Por mais de três décadas cri,  sem nenhuma sombra de dúvidas, de que a Bíblia é a Palavra  de Deus e por ser a Palavra de Deus era inerrável e sem contradições. Sobre essa base “sólida” desenvolvi a minha fé e crenças. Toda fé ou crenças dependem de uma base sólida. Lembro-me de quando fazia seminário essa questão, da veracidade da Bíblia, foi colocada em debate entre os alunos, baseado no seguinte tema: “A Bíblia é ou contem a Palavra de Deus?”. A maioria cria que ela era a Palavra de Deus. Fomos até a presença de um dos professores, que confirmou a sua posição favorável a maioria. Logo após o seminário foi ordenado a pastor, e durante mais de trinta anos pastoreei igrejas pertencendo a seguimentos que defendem a posição de que a Bíblia é a Palavra de Deus e quem diz o contrário é herege. Depois de todo esse tempo resolvi sair do sistema e pesquisar sem dogmatismo esse e muitos outros temas. Pois dentro do sistema não se tem pensamento livre, porque qualquer pensamento fora dos dogmas sistemáticos  é rechaçado como herético, e ninguém se sente à vontade sendo considerado herege pelos colegas dentro de um mesmo sistema. Até porque quem não pensa da mesma forma é expelido do meio, formalmente ou pelo processo automático.

E ao pesquisar livremente, a começar pela canonicidade da Bíblia, me deparei com muitas realidades diferentes do pragmatismo cristão. Começar com Bíblia é o ponto inicial de tudo, uma vez que, como disse acima, a Bíblia é  base de todas as nossas crenças e fé. Se não a entendermos de forma perfeita, tudo pode ficar confuso.

A primeira realidade, que normalmente, não é analisado pelos cristãos é a seleção canônica da Bíblia. Sempre se houve que Deus preservou a Bíblia através do tempo por meio de homens santos, para que nunca fosse danificada ou adulterada pelo homens ou situações contrárias. Esses homens santos, considerados pelos evangélicos hoje, não inclui os líderes da igreja católica, não. Mas os livros considerados canônicos hoje, foram selecionados pelos líderes católicos no Concílio de Nicéia no ano (325 dC), no comando do imperador Constantino, que se dizia cristão. E nos Concílios de Cartago (397 e 419 dC). Foram eles que fixaram o cânon neotestamentário dos 27 livros do NT que são aceitos atualmente.

Essa Bíblia que os evangélicos usam é a mesma que foi constituída (estou falando do NT), pelos citados Concílios. Depois de Lutero foram subtraído do AT os considerados apócrifos, ficando no total, AT e NT apenas 66 livros.

Há algumas questões sérias que vamos analisar: primeira, não foram os homens considerados santos, pelos evangélicos, que fizeram a seleção dos livros; segundo, a seleção foi feita dentre mais de cinco mil escritos originais, o que poderia escritos canônicos terem ficado de fora do cânon; terceiro, para ela ser “A” Palavra de Deus, toda a palavra de Deus destinada ao homem teria que estar nela e toda a verdade que possivelmente ficou fora  nos mais de cinco mil escritos,  considerados originais, que foram rejeitados, sob critérios que não conhecemos bem e nem sabemos que seriam aceitáveis como escrutínios naquelas condições de tanto interesses políticos; quarta, houve muitas dúvidas quanto essa constituição do NT. (Veja esses  artigos  aqui e aqui); quinto, muitas contradições que permanecem até hoje na Bíblia. Muitos ficam assustados quando falamos de contradição na Bíblia, porque aprenderam bem cedo de que a Bíblia não tem contradição e nunca examinaram para saber se isso é mesmo verdade. Pessoalmente pesquisei e descobrir centenas de contradições. Mas se houvesse apenas uma, seria suficiente para questionar  sobre ela ser a Palavra de Deus inerrável e sem contradição.

Creio que a Bíblia em todo o seu conteúdo contem a Palavra de Deus, as Escrituras Sagradas, mas não é a Palavra de Deus em seu todo.

Por que não creio que ela é a Palavra de Deus?

Começo com a seguinte pergunta: A Bíblia é  a palavra de Deus ou a Bíblia contém a palavra de Deus? A maioria esmagadora dos evangélicos e católicos acredita que a Bíblia é a Palavra de Deus. Isso inclui os maiores teólogos do mundo.

Desde a época em que eu fazia Seminário essa questão me intriga.

Como a Bíblia como um livro de papel e tinta, cujo material aceita qualquer arranjo, poderia se chamado de A PALAVRA DE DEUS? A minha mente nunca assimilou isso da forma que a maioria acredita. Hoje creio sem sombra de dúvida de que a Bíblia contém a Palavra de Deus, porem não é a Palavra de Deus. O livro contém as Escrituras Sagradas, mas não é as Escrituras Sagradas. A Bíblia, como livro, está cheia de contradições e erros; mas as Escrituras Sagradas não tem contradições nem erros. Todas Escrituras sagradas foram inspiradas pelo Espírito Santo, mas a Bíblia, como livro, foi composta por homens, e não eram necessariamente, homens de Deus. Os interesses na composição da mesma não eram, necessariamente, nobres.

O maior erro dos defensores da inerrância da Bíblia é confundir a Bíblia com as Escrituras Sagradas. Há poucos dias estive lendo um livro sobre isso, um volumoso livro de mais de 400 páginas, cujo escritor fez exatamente isso, confundiu o tempo todo a veracidade das Escrituras Sagradas com a Bíblia. As Escrituras Sagradas são a revelação de Deus ao homem e nelas não pode haver erros e contradições, claro, pois elas têm o mesmo peso de veracidade que sua fonte tem. Mas quando se trada da Bíblia como livro tudo é bem diferente. As Escrituras sagradas são livres do escrutínio e julgamento humano, mas a Bíblia é diferente, é só ver a história da sua composição e da sua canonização. Outra coisa com a qual se confunde muito a Escritura Sagrada, a teologia. A teologia é o estudo de Deus ou coisas pertinentes a Deus e ela é baseada nos livros sagrados, mas composta com interpretações e opiniões humanas, e não pode ser considerada a verdade.

O estudioso da Bíblia precisa ter um conhecimento profundo dela para poder  conhecer as Escrituras Sagradas que estão contidos nela; ou ser orientado por alguém que a conhece de fato. Conhecer a verdade sem intermediários. Jesus disse: conhecereis a verdade e a verdade vos libertará; só a verdade! 

Cremos que há um meio para se conhecer essa verdade, só um meio. Quando fomos criados por Deus, foi disponibilizado a cada um de nós um recurso para que através dele pudéssemos conhecer essa verdade libertadora, o nosso espírito.  Antes do distanciamento de Deus o homem era um com ele, através do espírito. A partir do momento em que ele se distanciou de Deus, ficou desconectado também do seu próprio espírito. O espírito do homem nunca foi corrompido e nem tão pouco perdeu sua plena comunhão com Deus; o que aconteceu foi que o homem perdeu sua conexão com seu próprio espírito, ficando separado de Deus. Jesus disse: "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca"(Mt 26.41). O espírito sempre esteve pronto e sempre está pronto.  O Espírito Santo  é a centelha divida dentro do homem. Quando nos conectamos como o nosso espírito, e consequentemente com o Espírito Santo, automaticamente nos conectamos com Deus, pois o nosso espírito, bem como o Espírito Santo está ininterruptamente interligado com Deus. Jesus disse: “O reino de Deus está dentro de vós” (Lc 17.21). Essas palavras foram ditas não a cristãos consagrados e sim para os fariseus, o seguimento religioso mais hipócrita da época; mas mesmo assim Jesus disse: “O reino de Deus está dentro de vós”. Isso deixa bem claro que independentemente da pessoa ter alguma experiência com Deus ou não, o reino de Deus está dentro dela. A posição dela sobre isso, se ela vai ativá-lo ou não, é outra história. Mas aí está verdade que liberta. Ela precisa alinhar-se com Espírito Santo, que habita no espírito dela. A verdade que liberta está dentro de cada pessoa. Ela só precisa ter consciência disso e viver de acordo com ela. 

Cremos que é na dimensão espiritual do homem que está esta verdade, esse reino de Deus. Nessas palavras de Jesus está a verdade que liberta, cabe ao homem se valer delas ou não. Se o homem tem a predisposição para essa verdade ele vai procurar um meio para conhecê-la. E o homem só pode descobrir essa verdade dentro dele, procurando pelo autoconhecimento. Ninguém pode conhecer verdadeiramente o reino de Deus a não ser através do autoconhecimento, pois o reino está dentro dele! Ele não vai achá-lo em outro lugar! Essa é a única maneira segura para se conhecer a verdade. Quando buscamos conhecer a verdade por leituras de livros, sejam eles quais forem, caminhamos para confusão. Toda escrita está sujeita a manipulação do homem. Mas quando procuramos conhecer a verdade pelo nosso íntimo (espírito), a mesma nos é revelado de uma forma cristalina, sem margem de erro ou dúvida. Nos livros só encontramos orientação para conhecermos a verdade no nosso interior. A Busca, no entanto, é um particular de cada um; depende do esforço pessoal de cada.

Cremos que quando estabelecemos esta verdade dentro de nós,  ela se tornará o nosso verdadeiro ser, sem conhecimento de nascimento ou de morte, juventude ou velhice, saúde ou doença — apenas a eternidade do ser harmônico. Esta verdade desfaz todas as ilusões dos sentidos, e revela a infinita harmonia do nosso ser; desfaz a mortalidade e revela nossa imortalidade. Devemos nos livrar de qualquer coisa, em nossos pensamentos, que não seja a divina Presença, o Eu Real (o espírito), para podermos beber a pura água da Vida e comermos o pão espiritual da Verdade.

 Temos de livrar o nosso coração dos erros do nosso eu, da obstinação, dos falsos desejos, da ambição e da ganância para refletir a luz da Verdade, como um diamante perfeito reflete sua própria luz interior.

Todos os acontecimentos do nosso dia-a-dia nos oferecem novas oportunidades de usarmos nossa compreensão espiritual, e cada uso dessas faculdades espirituais resulta em maior percepção espiritual que, por sua vez, nos revela sempre mais e mais da luz da Verdade.

Cremos que quando reinterpretamos as aparências e os fatos da vida diária nos termos da nova língua, a língua do espírito,  a consciência sofrerá uma expansão contínua, até que a tradução ocorra automaticamente, sem a necessidade de se pensar.

 Isto tornar-se-á um estado habitual de consciência, uma percepção constante da Verdade. Só desse modo poderemos ver nossa vida se desdobrar com harmonia a partir do centro do nosso ser, sem que para isto precisemos conduzir qualquer pensamento. Nossa vida, em vez de ser uma sequência de "demonstrações", tornar-se-á o feliz, harmonioso e natural desdobramento do bem. No lugar dos contínuos esforços para atrair o bem, vê-lo-emos emanar visivelmente a partir das profundezas do nosso próprio ser sem esforço consciente de nossa parte, quer físico quer mental. Não mais dependeremos de pessoas ou circunstâncias, nem mesmo do nosso esforço pessoal. A iluminação espiritual nos permite abandonar os esforços pessoais e confiar cada vez mais na Divindade, em Deus, que se revela e desdobra como cada um de nós. O esforço só existe até a Iluminação, a partir daí, ele não é mais necessário.

Nota: Não esqueça que o homem pode crer no que ele quiser... e a partir do momento em que ele crer em algo, ele defende como verdade e pode até morrer por ela.

Veja esse material abaixo: 

 A falsa confiabilidade do texto do NTaqui

Vamos mostrar um material, com cujo produtor a nossa crença e fé não se harmoniza, mas o material tem muito a nos ensinar nesse particular. O importante é examinar tudo e reter o que nos interessa, então veja  aqui

101 contradições da Bíblia, aqui

284 contradições da Bíblia, aqui

Contradições No NT, aqui 

“Eu realmente só amo a Deus, na proporção em que amo a pessoa que menos amo” (Dorothy Day) 

Pr Aramisio Borges 

Natural de Goiânia, Go. Mora em SP desde 1983, servo de Deus a serviço de sua obra, Pastor há mais de 35 anos, teólogo, professor de Teologia e psicólogo; é responsável pela  MCDI - Ministério Cristão de Discipulado e Integração e pelo Instituto Exousia. Procura amar a Deus acima de tudo e ao próximo como a si mesmo, ama a família, a obra de Deus, seus amigos, a vida!  Na medida do possível procura ser amigo de todos e na mesma medida, procura ter paz com todos os homens.  Procurando sempre resolver todas as pendências. Tem procurado estar de bem com Deus, consigo mesmo e com o próximo. Tem um grande interesse pelo bem-estar do ser humano, principalmente no que se refere ao seu relacionamento com o Criador. Não é perfeccionista, mas gosta do melhor possível. Não é dogmático, mas gosta de ter uma posição definida em relação aos temas e doutrinas da Bíblia. Não chegou ainda, aonde quer, mas sebe onde deve chegar e esforça-se para isso. Gosta de se relacionar com o ser humano, procurando sempre o melhor nas pessoas, mesmo que possa se surpreender com pior. Sabe que toda pessoa rotulada como ruim tem um lado positivo e toda considerada boa, tem um, pelo ao menos um, aspecto negativo. Assim é com todos. Considera o conhecimento e o envolvimento com a Soberana Graça de Deus como imprescindível para o cristão e entende que, para viver nessa plena graça precisa, antes de tudo, viver no pleno mover do Espirito Santo. E sem essa Graça ninguém seria salvo, pois foi nessa base da graça que Deus, soberanamente, nos elegeu em Cristo antes da fundação do mundo. 

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